“Esquizofrenia: risco de perigo ou preconceito?” – Carta Capital

Luís Fernando Tófoli, médico e professor de Psiquiatria da UNICAMP, alerta para que a trágica morte de Eduardo Coutinho não sirva para estigmatizar (ainda mais) os pacientes portadores de esquizofrenia.

“A precoce e inesperada partida do documentarista Eduardo Coutinho não deve justificar o aumento do estigma aos portadores de esquizofrenia.”

Sobre o projeto de “cura gay”

Eis um excelente guest post para o blog Escreva Lola Escreva escrito por uma querida amiga, a Amana Mattos, que é professora de Psicologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Em pauta, a aprovação do assim apelidado projeto de cura gay na Comissão de Direitos Humanos da Câmara no última dia 18. Eis o texto: Não existe cura para o que não é doença.

Recomendo também outros dois ótimos textos sobre o assunto, escritos pelo Felipe Stephan, mestrando no Instituto de Medicina Social da UERJ e autor do blog Psicologia dos Psicólogos (do qual me tornei leitor cativo): Homossexualidade: como curar o que não é doença? – Parte 1 e Parte 2.

Psicologia: Abordagem Científica vs. Fundamentalista

Textos e vídeo sobre transexualidade

Neste post, reuni material a respeito do tema da transexualidade e da condição trans.

Primeiramente, este pequeno, rápido e fácil guia sobre pessoas transexuais, travestis e demais transgêneros, que fornece os esclarecimentos mais importantes e tira as dúvidas mais recorrentes: Orientações Sobre Identidade de Gênero – Conceitos e Termos.

Em segundo lugar, um conjunto incrível de posts realmente instrutivos e esclarecedores, escritos por diferentes blogueiros e saídos todos no início do ano, por ocasião da data de luta em defesa da transexualidade: Blogagem Coletiva – Dia da Visibilidade Trans.

Em terceiro lugar, um documentário apresentando casos de crianças que desde muito cedo atestavam o sentimento de estarem habitando o corpo errado. O vídeo nos põe em contato com o sofrimento dessas crianças, devido à sua condição e sobretudo à maneira como a sociedade as trata, e nos leva, assim, a rever preconceitos tão profundamente arraigados. (Lamentavelmente, as legendas para o português fazem confusão em diversos momentos entre as noções de “sexo” e “gênero”, embora o documentário em si não cometa esse erro.)

E, finalmente, em quarto lugar, uma página no Facebook bastante divertida e informativa, com relatos, fotos e reflexões: Transexualismo da Depressão.

Abaixo, alguns artigos científicos para aqueles que desejarem se aprofundar no assunto:

ARILHA; LAPA; PISANESCHI (org). Transexualidade, Travestilidade e Direito à Saúde
ARÁN; ZAIDHAFT; MURTA. Transexualidade – Corpo, subjetividade e saúde coletiva
ARÁN, Márcia. A transexualidade e a gramática normativa do sistema sexo-gênero

Como a falsa neurociência reforça os mitos do sexismo

Acaba de sair no Brasil o livro de Cordelia Fine, psicóloga e pesquisadora da University of Melbourne, Homens Não São de Marte, Mulheres Não São de Vênus. O subtítulo já antecipa a tese maior da autora: Como nossa mente, a sociedade e o neurosexismo criam a diferença entre os sexos. O site da Folha de São Paulo publicou um breve comentário sobre o livro que me deixou particularmente curioso para o ler. A matéria explique que, segundo a autora, a tentativa de radicar em descobertas sobre o cérebro diferenças biológicas universais entre homens e mulheres não passa de baboseira pseudocientífica sem nenhum real fundamento e que apenas contribui para reforçar os mitos sexistas de nossa sociedade. Ela afirma ainda que a ideia de naturalizar no cérebro os papéis de gênero socialmente construídos não é nada nova: iniciativas semelhantes acumulam-se desde o século XVII. Denúncias como a de Cordelia Fine nos ensinam uma importante lição: é preciso uma dose de desconfiança e senso crítico para não comprar automaticamente os discursos diariamente veiculados em nome da ciência. Eis o link: Falsa neurociência perpetua a diferença entre os sexos, diz autora.

Nova edição do DSM elimina o “transtorno de identidade de gênero”

Não pude encontrar tradução confiável para o português. De todo modo, deixo aqui registrada esta importante notícia, saída ainda ontem na imprensa americana. Sem dúvida, um grande passo para a comunidade transexual rumo ao pleno reconhecimento de seus direitos e de sua dignidade.

APA removes “gender identity disorder” from updated mental health guide

Aproveito para remetê-los a um ótimo artigo de Márcia Arán que reconstitui e analisa criticamente o processo histórico de patologização da transexualidade:

ARÁN; MURTA; LIONÇO. Transexualidade e saúde pública no Brasil

Resumo: O artigo tem como objetivo discutir a transexualidade no contexto das políticas de saúde pública no Brasil. Para isto, num primeiro momento, problematiza-se a necessidade do diagnóstico de transtorno de identidade de gênero como condição de acesso ao tratamento na rede pública, buscando compreender de que forma se deu historicamente a patologização da transexualidade. Em seguida, analisa-se o debate sobre as políticas de saúde para transexuais, considerando o processo de legalização da cirurgia de transgenitalização no país, as resoluções do Conselho Federal de Medicina e os fóruns que se constituíram com representantes do Ministério da Saúde, profissionais da área e representantes do movimento social. Finalmente, tendo como referência trabalhos que se destacaram pela crítica à patologização da transexualidade nas áreas da saúde coletiva e das ciências sociais, pretende-se destacar a importância de compreendermos a diversidade de formas de subjetivação e de construção de gênero na transexualidade. Discute-se a questão da autonomia dos transexuais e sugerem-se políticas públicas que, embora sigam um protocolo de assistência, não tenham como única referência terapêutica a realização do diagnóstico e a cirurgia de transgenitalização.

Saks: “Uma história de doença mental pelo lado de dentro”

Palestra de Elyn Sacks, uma professora universitária que dá aqui um relato impressionante de sua experiência como esquizofrênica ao longo da vida, fala de toda a estigmatização que pesa contra as pessoas com doença mental e de como é possível levar uma vida fora do hospital psiquiátrico.