Um emocionante exemplo de parto humanizado

Acostumados que estamos a imaginar o parto conforme mostrado na TV, é emocionante assistir às imagens de um parto feito em moldes completamente diferentes, um parto natural no qual a parturiente é a protagonista. O vídeo já alcançou mais de 3 milhões de visualizações. Também vale a pena ler a descrição do vídeo, escrita pela própria mãe.

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Violência obstétrica: “Na hora de fazer não gritou”

Acabo de ler uma excelente matéria sobre a triste realidade da violência obstétrica, que se tornou tão rotineira e banalizada nos hospitais brasileiros. O título é sugestivo: “Na hora de fazer não gritou”. Ele faz referência a uma frase que muitas mulheres já ouviram de enfermeiros e técnicos na sala do parto. Destaco abaixo dois trechos que exemplificam a total falta de humanização do parto tal como é realizado atualmente:

Se posso considerar que tive alguma sorte naquele momento, foi a de (…) não me terem colocado o soro com ocitocina sintética, que acelera o parto e aumenta as contrações, intensificando muito a dor. Hoje eu sei que se o houvessem feito, eu provavelmente teria implorado por uma cesariana, como a grande maioria das mulheres.

Quando eu estava quase dando a luz, a enfermeira gritou: “Pára!” e me levou para o centro cirúrgico. Lá, me deram uma combinação de anestesia peridural com raquidiana, sem me perguntar se eu precisava ou gostaria de ser anestesiada, me deitaram, fizeram uma episiotomia (corte na vagina) sem o meu consentimento – procedimento desnecessário na grande maioria dos casos, segundo pesquisas da medicina moderna –, empurraram a minha barriga e puxaram o meu bebê em um parto “normal”. Achei que teria o meu filho nos braços, queria ver a carinha dele, mas me mostraram de longe e, antes que eu pudesse esticar a mão para tocá-lo, levaram-no para longe de mim. Já no quarto, tentei por três vezes levantar para ir até o berçário e por três vezes desmaiei, por causa da anestesia. “Descansa um pouco, mãezinha”, diziam as enfermeiras, “Sossega!”. Eu não queria descansar, só estaria sossegada com o meu filho junto de mim! O fotógrafo do hospital (que eu nem sabia que estava no meu parto) veio nos vender a primeira imagem do bebê, já limpo, vestido e penteado. Foi assim que eu vi pela primeira vez o rostinho dele, que só chegou para mamar cerca de quatro horas depois.

No texto, a obstetriz Ana Cristina Duarte, defensora do parto humanizado, explicita que a violência obstétrica pode tomar formas variadas, algumas delas bastante sutis. Ela oferece uma lista de exemplos desse tipo de violência, do qual o acolhimento e o respeito passam longe: “negar à mulher grávida um acompanhante de sua preferência; tratá-la durante o trabalho de parto de forma agressiva, não empática, grosseira, zombeteira, ou de qualquer forma que a faça se sentir mal pelo tratamento recebido; tratá-la de forma inferior, dando-lhe comandos e nomes infantilizados e diminutivos; submetê-la a procedimentos dolorosos desnecessários ou humilhantes, como lavagem intestinal, raspagem de pelos pubianos e posição ginecológica com portas abertas; forçá-la a mais de um exame de toque, especialmente por mais de um profissional; lhe dar hormônios para tornar o parto mais rápido; fazer episiotomia sem consentimento”. “A lista é imensa e muitas nem sabem que podem chamar isso de violência”, conclui Ana Cristina.

Nós somos as protagonistas de nossas vidas, mas, quando chega o momento do parto, perdemos a condição de sujeito.” (Ana Carolina Franzon)

O texto fala disso e de vários assuntos relacionados, trazendo muitas informações valiosas. Ao final, ainda há o link de um documentário acerca do tema da violência obstétrica. Não deixe de conferir, pois a causa é importante!

Efeitos psíquicos da guerra em ex-soldados americanos

Matéria da BBC Brasil do último dia 19 fala dos devastadores efeitos psíquicos produzidos pela guerra nos soldados americanos que retornam do Oriente Médio. Entre os veteranos, os índices de transtorno mental e suicídio são alarmantes. Além disso, muitos familiares notam nos ex-combatentes alterações drásticas de personalidade, que, nos casos extremos, resultam em comportamento violento e até homícidio. É o que aconteceu ao sargento Dwight Smith, de apenas 24 anos, que, depois de servir em missões no Iraque e no Afeganistão, nunca mais foi o mesmo. Ao visitar a família no estado americano de Delaware, no final de 2011, assassinou brutalmente uma mulher de 65 anos. Em carta, confessou:

“Vou ser honesto com você, pai. Matei muitos homens e crianças. Alguns nem fizeram nada para que eu os matasse. Outros pediram misericórdia”, escreveu Smith. “Eu tenho um problema. Acho que estou viciado em matar.”

Nos Estados Unidos, existem diversas entidades voltadas à defesa dos direitos dos veteranos de guerra. Mas eu acredito que já está na hora de defendermos um direito ainda mais essencial: o de não mais haver nem veterano nem guerra.

Eis a matéria da BBC Brasil: Dez anos depois, veteranos do Iraque ainda trazem guerra para casa.

Jornal Nacional denuncia descaso com usuários de CAPS

Em reportagem do dia 22 de fevereiro, o Jornal Nacional denunciou o completo descaso com pacientes psiquiátricos, submetidos a condições degradantes no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Campos, no norte do estado do Rio de Janeiro: Pacientes são amontoados em corredores de centro psiquiátrico. Vale lembrar que os CAPS foram criados justamente para evitar ao máximo a internação em manicômios e humanizar o tratamento a pessoas diagnosticadas com problemas mentais. As imagens mostradas na reportagem revelam, porém, que de nada adianta um bom modelo de assistência em saúde mental sem o real engajamento do poder público.

Rivotril vira febre em Minas Gerais

Reportagem publicada em janeiro no jornal Estado de Minas alerta para uma situação que já está virando caso de saúde pública: o consumo exagerado de Rivotril em certos municípios do estado. Como se vê, a explosão no consumo do medicamento verificada nos últimos anos começa a preocupar as autoridades médicas, em vista dos riscos sempre presentes da tarja preta produzir dependência e efeitos colaterais. Especula-se que um fator importante neste fenômeno é a crescente incapacidade das pessoas em lidar com as próprias tristezas e frustrações e sua crença no poder mágico das drogas psicoativas em geral – a exemplo do Rivotril, prescrito em quadros de ansiedade, insônia e outros sintomas depressivos. (A psicanalista Rita de Cássia explora essa ideia aqui.) A reportagem pode ser lida neste link.

Internação compulsória é a saída?

Em seu primeiro discurso no plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, realizado em 15 de fevereiro, o vereador Renato Cinco (PSOL) questiona o programa de recolhimento involuntário dos (supostos) usuários de crack. Ele desmascara as intenções espúrias da prefeitura ao introduzir esse programa, que apenas resgata velhas e torpes práticas de higienização social, e acusa a grave violação dos direitos de jovens em situação de rua. Destaco dois trechos luminosos da fala do vereador (aos quais eu fiz pequenos acréscimos e modificações):

“O senhor prefeito e os senhores secretários, ao invés de cumprirem com sua obrigação e desenvolverem a rede de atendimento em saúde mental, utilizam o uso problemático de crack como pretexto para retomar no Rio de Janeiro as vergonhosas políticas de higienização social. (…) A prefeitura precisa entender que o papel dela não é criar uma guarda pretoriana para violentar os direitos dos moradores de ruas, mas sim estabelecer uma verdadeira rede de assistência em saúde mental para enfrentar de frente o debate sobre a política de drogas em nosso município.” (de 10:55 em diante no vídeo abaixo)

“Precisamos investigar os dois relatórios produzidos pelos conselhos regionais de Psicologia, Serviço Social, Nutrição e Enfermagem, mostrando que as crianças e os adolescentes estão sendo internados sem diagnóstico que diga se realmente são dependentes problemáticos de drogas. A lei estabelece que só quem pode pedir internação compulsória é o Ministério Público ou a família, com o laudo de dois psiquiatras determinando a internação e a decisão do juiz em cima dessa avaliação médica. O que está acontecendo hoje, na cidade do Rio de Janeiro, é o total desrespeito à lei. (…) E ainda mais grave: esses mesmo relatórios denunciam que não há nenhum plano de tratamento para aquelas crianças nas casas de acolhida, e que o único medicamento lá ministrado é uma contenção química, quando elas se revoltam pela situação na qual se encontram. Aí, dão Haldol e Fenergan às crianças e aos adolescentes para deixá-los chapados. Algo que, em tese, era justamente o que a prefeitura queria evitar. É um absurdo a flagrante violação do direito de crianças e adolescentes.” (de 13:03 em diante)

Eis o discurso completo: