Humor: o diagnóstico na Saúde

Vídeo do Canal Parafernalha faz sátira do processo diagnóstico de muitos consultórios médicos país afora.

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“Eu, o SUS, a ironia e o mau gosto”

Este é o belo e triste depoimento de Nina Crintzs, uma jovem mulher que se descobriu de uma hora para outra com uma doença incurável, a esclerose múltipla. Ela conta sua busca exasperada por um médico capaz de olhá-la nos olhos durante as consultas e de dizer “não sei, vou pesquisar” quando necessário. Fala da terrível sensação de receber o diagnóstico: é como ser bruscamente empurrada num abismo sem paraquedas, diz ela. E fala de sua reação imediata. “O que dá, assim, de cara, é raiva. (…) Porque já é suficientemente difícil estar vivo sem esta sentença de morte lenta e degradante.” Ela relata ainda a batalha constante para seguir com a vida e evitar que tudo passe a girar em torno da doença. “A minha doença não me define, porque eu não deixo. Ela gostaria muitíssimo de fazê-lo, mas eu não deixo.” E afirma que o SUS foi sua salvação, por receber de graça os medicamentos necessários – remédios estes que, noutra situação, lhe custariam por volta de 12 mil reais. Segundo ela, o Brasil é o único país no mundo a fornecer o tratamento para esclerose múltipla pelo sistema público de saúde, sem nenhum gasto para o usuário. Ela também tece algumas reflexões sobre o fato de que ninguém está a salvo das ironias da vida. Tudo isso com bem-humorada desenvoltura e impressionante lucidez acerca de sua própria condição. Leitura recomendadíssima!

O texto foi publicado no final de 2011, quando o ex-presidente Lula soube do câncer na laringe e diversos opositores o escarneceram, exigindo que procurasse atendimento no SUS.

O texto foi publicado no final de 2011, quando o ex-presidente Lula soube do câncer na laringe e diversos opositores o escarneceram, exigindo que procurasse atendimento no SUS.

Virginia Woolf: “Sobre o estar doente”

Destaco abaixo o primeiro parágrafo de um ensaio de Virginia Woolf intitulado “Sobre o estar doente”, onde a grande escritora inglesa faz um elogio da doença como um tema digno da prosa literária.

Considere quão comum a doença é, quão tremenda a mudança espiritual que traz, quão espantosas – quando as luzes da saúde se apagam – as regiões por descobrir que são então reveladas, que extensões desoladas e desertos da alma uma ligeira gripe deixa à vista, que precipícios e relvados pontilhados de flores brilhantes uma pequena subida de temperatura descortina, que antigos e rijos carvalhos são desenraizados em nós pela ação da doença, como nos afundamos no poço da morte e sentimos as águas da aniquilação fecharem-se sobre nossas cabeças e acordamos julgando estar na presença de anjos e harpistas quando arrancamos um dente, e voltamos à superfície na cadeira do dentista e confundimos seu “bocheche… bocheche…” com as saudações de uma divindade debruçada no chão do céu para nos dar as boas-vindas. – Quando pensamos nisso, como tantas vezes somos forçados a pensar, torna-se realmente estranho que a doença não tenha arranjado um lugar, juntamente com o amor, a guerra e o ciúme, entre os temas primordiais da literatura. [fonte, com revisões minhas; citação no original]