As ameaças do capital ao sistema de saúde

Oportuna entrevista com a professora Marcia Angell (de quem já publiquei um excelente artigo aqui) acerca de como o capital é uma ameaça constante a um modelo de assistência médica que se queira efetivamente universal. Angell defende um sistema de saúde exclusivamente público, um salário fixo para os médicos e um controle governamental sobre o preço dos medicamentos. Ela critica os efeitos do anúncio desenfreado de medicamentos na TV, as leis americanas que permitiram o patenteamento de descobertas médicas financiadas com recursos públicos e os abusos dos médicos na utilização desnecessária de certos procedimentos. Outros assuntos também são abordados, e a renomada professora fala de todos eles com segurança e rara lucidez. O tom de suas posições – sempre muito firmes, incisivas e politicamente orientadas – já é sentido nas primeiras linhas da entrevista:

Pergunta: Qual é a função do governo dentro de um sistema de saúde?
Marcia Angell: Eu acredito que qualquer governo decente vê como sua responsabilidade a obrigação de oferecer um sistema de saúde para toda a população. Em essência, o governo tem a responsabilidade de supervisionar o sistema de saúde. Eu sou a favor de um sistema de saúde sem fins lucrativos, providenciado e administrado pelo governo, que garanta tratamento para todos. Eu proibiria o lucro dentro da medicina, pois acredito que este seja o cerne do problema.

Não deixem de ler! Eis o link: Qual país tem o sistema de saúde ideal?

Episódio do Profissão Repórter sobre abandono em hospitais

O Profissão Repórter do último dia 18 contou a triste história de pessoas que passam a vida sozinhas em clínicas, hospitais e casas de repouso, esquecidas pelos parentes. Dentre elas, idosos que não sabem mais quem são e indivíduos com doença mental desnecessariamente condenados à solidão e ao isolamento. O programa mostra, ainda, os profissionais que cumprem o papel de pai e mãe para seus pacientes e o esforço de enfermeiros e técnicos para resgatar o passado daquelas pessoas abandonadas sob os seus cuidados e para providenciar que sejam novamente aceitas pela família ou, pelo menos, regularmente visitadas.

Série “Erro Fatal” no Jornal da Band

O Jornal da Band exibiu entre os dias 10 e 15 deste mês uma série de reportagens sobre o crescimento dos falhas médicas no Brasil. Ela revela o drama de quem um dia precisou de um profissional de saúde mas foi vítima de negligência, imprudência ou imperícia por parte de médicos, enfermeiros, auxiliares e técnicos. A séria entrevista pacientes, familiares, profissionais e especialistas para fornecer um quadro detalhado desse fenômeno, que tem crescido em ritmo acelerado no país. Só nos últimos dez anos, as reclamações de erros médicos triplicaram no Conselho Regional de Medicina de São Paulo. E chegam a uma média assustadora de doze denúncias por dia. Atualmente, mais de 400 médicos e profissionais de saúde aguardam para ir ao banco dos réus. Erro Fatal investiga, além disso, a origem dos erros: por que médicos, enfermeiros, auxiliares e técnicos erram tanto? As falhas acontecem apenas por descuido individual ou também há interferência das péssimas condições de trabalho em hospitais e postos de saúde? Como é a formação de tais profissionais? Hoje, no Brasil, um médico recém-formado está verdadeiramente apto a tratar um paciente? E o que podemos esperar dos resultados  assustadores de um exame do Conselho Regional de Medicina realizado para avaliar os estudantes de medicina das principais universidades de São Paulo, no qual mais da metade dos alunos do sexto ano foi reprovada? É atrás de respostas para todas essas urgentes interrogações que a série de reportagens vai. [fonte] [adaptado]

Documentário: “O Riso dos Outros”

Aproveitando as discussões que tivemos na última aula do curso, publico aqui este documentário que questiona em que medida o humor pode perpetuar a violência simbólica contra minorias historicamente oprimidas – como negros, mulheres, gays e tantos outros. Ele revela, desse modo, como o humor possui uma dimensão política e como “uma simples piada” contribui de forma velada para a manutenção e a disseminação de certos valores e de certa ordem social.

Sinopse: Existem limites para o humor? O que é o humor politicamente incorreto? Uma piada tem o poder de ofender? São essas questões que O Riso dos Outros discute a partir de entrevistas com personalidades como os humoristas Danilo Gentili e Rafinha Bastos, o cartunista Laerte e o deputado federal Jean Wyllys, entre outros. O documentário mergulha no mundo do stand up comedy para discutir esse limite tênue entre a comédia e a ofensa, entre o legal e aquilo que gera intermináveis discussões judiciais. O filme foi dirigido por Pedro Arantes, diretor de séries de humor como “As Olívias”, do canal Multishow, e “Vida de Estagiário”, da TV Brasil.

Link para entrevista com o diretor na Revista Trip que esclarece alguns pontos importantes no documentário:  Tá rindo de quê?

Livro de Goffman: “Manicômios, Prisões e Conventos”

Descrição: Privado da vida comunitária, como se manifesta o indivíduo? Goffman, emérito sociólogo de Berkeley, responde de modo polêmico, amparado por grande massa de dados e ampla informação sociológica: o segregado atua de modo semelhante, seja qual for a razão do isolamento – vocação, punição ou doença mental. Esta obra faz um levantamento crítico da vida em situações fechadas e mostra como esse tipo de segregação atua sobre o indivíduo. O exemplo privilegiado é o do manicômio e, por meio dele, o autor explica por que o comportamento do doente mental em face da instituição diz respeito muito mais a sua condição de internado do que propriamente a sua doença.

Para saber mais sobre o livro: KUNZE, Nádia. Resenha de ‘Manicômios, Prisões e Conventos’

Download: GOFFMAN, Erving. Manicômios, Prisões e Conventos

Psicóloga dá infeliz declaração relacionando autismo e psicopatia

No programa do último domingo, dia 16, Faustão convidou a psicóloga Elizabeth Monteiro para o quadro Divã do Faustão, a fim de comentar o terrível massacre acontecido em uma escola primária dos Estados Unidos na sexta-feira passada. Em uma fala lamentavelmente confusa e mal informada, a psicóloga mencionou a possibilidade de o atirador ter Síndrome de Asperger (condição pertencente ao espectro autista) e sugeriu, equivocadamente, uma relação entre autismo e psicopatia. Misturou os sinais de ambas as condições e não interveio quando o apresentador concluiu que crianças com Asperger possuem propensão a comportamentos violentos. Tais afirmações são completamente falsas do ponto de vista científico e irresponsáveis, porque contribuem para a manutenção e o reforço do estigma contra os autistas.

Peço que assistam ao vídeo, leiam a Carta de repúdio ao discurso da psicóloga Elizabeth Monteiro no Faustão e assinem a petição solicitando a Retratação de Faustão e Elizabeth Monteiro frente aos pais de autistas em rede nacional.

Episódio do Profissão Repórter sobre cuidados paliativos

Emocionante episódio do programa Profissão Repórter exibido no dia 15/12/2009 e dedicado exclusivamente ao tema dos cuidados paliativos. Conta com a participação especial da premiada jornalista Eliane Brum, por quem nutro grande admiração desde que tomei contato com suas colunas semanais na Revista Época.

Aproveito para referi-los a esta notícia, saída em agosto, sobre uma recente resolução do Conselho Federal de Medicina no que concerne aos limites do tratamento de pessoas adoentadas em fase terminal: Paciente pode registrar quais tratamentos quer no fim da vida.